MINOM-ICOM

International movement for a new Museology

Mouvement international pour une nouvelle Muséologie

Movimiento internacional para una nueva Museología

Condolence note for the destruction of the National Museum (Brazil)

07.09.2018

On September 2, the fire consumed the National Museum, destroying scientific research, millennial heritage of humanity, part of Brazilian history, libraries, archives, extraordinary collections from amerindian and african ancestry, as well as unique specimens of Brazilian biodiversity. In the ruins of São Cristóvão Palace, at Quinta da Boa Vista, cultural references were lost from nations who had already been decimated and voices of Brazilian indigenous languages that only existed in the records of this institution. The works of generations of Brazilians and foreigners, their testimonies of lives and resistances, no longer exist. Extinct animals, which could only be known in the Museum, will no longer be seen and will no longer serve as a warning for the processes of destruction that need to be paralyzed.

The National Museum contradicted the prevailing logic and dared to produce high-quality, public, free, nonprofit science and education, albeit under unfavorable conditions. The National Museum was a popular museum and was affectionately embraced by Brazilians, particularly by the residents of the city of Rio de Janeiro and especially by the residents of the suburbs of the north and west areas of this city, including the poorest. The National Museum was the victim of neglect, the careless of successive governments, the cuts and containment of funds, and the contempt that Brazilian authorities and elites always voted for culture, history and science. It was a victim of the discontinuity of the public policies of culture, patrimony, memory and museums implemented since 2003, in the administration of the Minister Gilberto Gil.

MINOM is in solidarity with the direction of the National Museum and with all public servants – professors, technicians, managers, museologists and educators – well as with outsourced workers and students who have always acted, even in adverse conditions, in order to offer the best for the Museum and the best Museum for the people of Rio de Janeiro, Brazil and the world. Many dedicated themselves to the National Museum and saw the work of a lifetime disappear overnight. We know that destruction has shocked the entire world, but we want to show solidarity with the community of Rio de Janeiro, which has lost a democratic and emblematic space of leisure, science, culture and education, where memories and affections were built and passed on from generation to generation. The work done by the National Museum in its two hundred years was not in vain; will remain alive in the memory of all those who have made it his beloved Museum.

Rio de Janeiro, September 7, 2018.
Mario Chagas
Mario Moutinho
Marcelle Pereira
Pedro Leite
Claudia Storino
Tamara Glass
Robert Heslip
Judite Primo
Moana Soto

 

 

Nota de pesar pela destruição do Museu Nacional. Luto aqui é verbo!

No último dia 2 de setembro o fogo consumiu o Museu Nacional, destruindo pesquisas científicas, patrimônios milenares da humanidade, parte da história brasileira, bibliotecas, arquivos, acervos extraordinários de povos indígenas e de ancestralidades africanas, além de espécimes singulares da biodiversidade brasileira. Nas ruínas do Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, perderam-se referências culturais de povos que já haviam sido dizimados e vozes de línguas indígenas que só existiam nos registros dessa Instituição. O trabalho de gerações de brasileiros e estrangeiros, suas obras, seus testemunhos de vidas e resistências, já não existem. Animais extintos, que só podiam ser conhecidos no Museu, não mais serão vistos e não servirão mais de alerta para os processos de destruição que precisam ser paralisados.

O Museu Nacional contrariava a lógica dominante e ousava produzir ciência e educação de alto nível, pública, gratuita e sem fins lucrativos, ainda que sob condições nada favoráveis. O Museu Nacional era um museu popular e carinhosamente era abraçado pelos brasileiros, particularmente pelos moradores da cidade do Rio de Janeiroe especialmente pelos moradores dos subúrbios das zonas norte e oeste desta cidade, incluindo aí os mais pobres. O Museu Nacional foi vítima do descaso, da incúria de sucessivos governos, dos cortes e contenções de verbas e do desprezo que as autoridades e as elites brasileiras sempre votaram à cultura, à história e à ciência. Foi vítima da descontinuidade das políticas públicas de cultura, patrimônio, memória e museus implementadas a partir de 2003, na gestão do Ministro Gilberto Gil. 

O MINOM se solidariza com a direção do Museu Nacional e com todos os servidores públicos – professores, técnicos, gestores, museólogos e educadores – como também com os trabalhadores terceirizados e estudantes que sempre atuaram, ainda que em condições adversas, visando oferecer o melhor para o Museu e o melhor Museu para o povo do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo. Muitos se dedicaram ao Museu Nacional e viram desaparecer em uma noite o trabalho de uma vida. Sabemos que a destruição deixou em choque o mundo inteiro, mas queremos nos solidarizar principalmente com a comunidade do Rio de Janeiro, que perdeu um espaço democrático e emblemático de lazer, ciência, cultura e educação, onde memórias e afetos foram construídos e passados de geração em geração. O trabalho realizado pelo Museu Nacional em seus duzentos anos não foi em vão; permanecerá vivo na memória de todos os que fizeram dele o seu bem querido Museu.

Rio de Janeiro, 07 de setembro de 2018.
Mario Chagas
Mario Moutinho
Marcelle Pereira
Pedro Leite
Claudia Storino
Tamara Glass
Robert Heslip
Judite Primo
Moana Soto

 

 

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